Todos os dias, nosso planeta é presenteado com o surgimento de espécies animais e vegetais. Ao mesmo tempo, outros seres desaparecem, em um processo ininterrupto que seleciona apenas os mais bem adaptados. Sempre foi assim, desde os tempos mais remotos. Esse é o ciclo natural da evolução. O problema é que o ritmo de extinções anda acelerado demais, pelo menos 100 vezes superior à velocidade normal. Os cientistas até arriscam uma estimativa — a cada 20 ou 25 minutos, uma espécie some da face da Terra.O Brasil coleciona casos de sucesso na luta pela preservação e recuperação de algumas espécies, como a tartaruga marinha, o peixe-boi e a baleia jubarte, os mais conhecidos no país. No entanto, com a constatação de que a perda da biodiversidade não conseguiu ser estancada nos últimos anos, os participantes do “I Forum Biodiversidade e a Nova Economia” defenderam estratégias mais amplas e integradas para preservar de fato as espécies do planeta como um todo. Segundo a terceira edição do Panorama da Biodiversidade Global, 42% das populações de anfíbios e 40% das de aves, entre outras, estão ameaçadas, ou seja, em declínio.
“Nada contra a tartaruga ou o urso polar, mas as espécies símbolos, que atraem a atenção da mídia e de recursos para a sua preservação, representam apenas 1% da biodiversidade. Os outros 99% são de vidas não tão atrativas ou carismáticas ou nem mesmo conhecidas”, afirmou o professor de Ecologia da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação, Thomas Lewinsohn.
Durante o debate que discutiu a valoração da biodiversidade, o professor (na foto acima) comentou a dificuldade de se lançar uma campanha em defesa de um “rola-bosta”, como exemplo. Esse besouro curioso de 1,5 centímetro, que vem tendo suas populações reduzidas, se alimenta das fezes frescas dos bovinos, fazendo pequenas bolinhas de esterco que são enterradas com seus ovos, para servir de alimento para as larvas ao nascer. Com isso, além de promover a adubação orgânica e a aeração do solo, o rola-bosta também ajuda a controlar a principal praga do gado: a mosca-dos-chifres, ao interromper o seu ciclo de vida. Muitos dos ovos dessa mosca que são depositados nas fezes são comidos pelo besouro ou não se desenvolvem enterrados, o que ajuda a reduzir em até 40% a infestação.
Assim como o besouro, há inúmeras outras espécies que passam muitas vezes despercebidas, mas têm grande função para o equilíbrio do ambiente. Segundo o professor Lewinsohn, é preciso que as ações de proteção em suas mais diferentes áreas sejam focadas nos ecossistemas e não em espécies específicas, de forma a atingir a biodiversidade como um todo e suas inter-relações. “O melhor é agir sobre paisagens inteiras, de preferência integrando lugares mais cênicos, de maior interesse, com regiões periféricas. É preciso cuidar da biodiversidade inclusive em locais profundamente modificados, como as áreas agrícolas”, defende o pesquisador.
Essa opinião foi compartilhada pelo superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Cláudio Maretti. “A biodiversidade não é só espécies, mas também ecossistemas, e não apenas florestas. Para ressaltar a importância do cerrado hoje para as pessoas, temos que mostrar que metade dele é floresta”, diz o ambientalista.
Em seu trabalho como fotógrafo da revista National Geographic, o americano Joel Sartore se especializou em animais em extinção, muitos dos quais ele raramente terá a chance de registrar novamente. Um dos seus objetivos é sensibilizar as pessoas para aquelas espécies “desinteressantes”, como os mariscos, por meio dos retratos. “Eles nem tem olhos, não sorriem, mas ajudam a limpar a água. E eu bebo água todos os dias. No entanto, eles têm enfrentado problemas por causa da poluição e somos nós que causamos isso”, afirmou.
“Há um valor espiritual em preservar a biodiversidade, mas também há questões de ordem muito prática”, diz Antônio Solé, diretor do Departamento de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A natureza nos presta serviços que ainda nem imaginamos. Sem perceber, a humanidade pode estar comprometendo para sempre seu modo de vida.”
O QUE É POSSÍVEL FAZER
– Criar unidades de conservação, como reservas ecológicas e parques naturais;
– Criar e fazer cumprir as leis que proíbam a extração, caça e pesca predatórias, como a que acontece no período de reprodução dos peixes;
– Controlar as espécies exóticas invasoras, fiscalizando o tráfico de animais;
– Promover a educação ambiental e o ecoturismo;
– Promover melhores práticas na agricultura, no manejo florestal e na pesca.
Como indivíduo, o consumo consciente é uma boa maneira de conservar a diversidade das espécies.
– Informe-se sobre as empresas que não prejudiquem o meio ambiente em suas atividades;
– Economize água e energia;
– Não jogue lixo na rua, nos rios ou nas praias;
– Recicle sempre que possível.
Fonte: Fórum Biodiversidade e a Nova Economia – /www.forumbiodiversidade.com.br/

Elenita Malta Pereira
22 de setembro de 2010 em 13:55.
Olá,
Enviei um e-mail para o GESP em 09 de setembro, e ainda não obtive resposta.
É sobre uma pesquisa de história.
Peço, por favor, verificar, pois preciso saber sua resposta.
Muito obrigada!
Elenita Malta Pereira
Mestranda em História na UFRGS