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É inacreditável que ainda existam seres humanos que reajam tão irracionalmente contra o Planeta e a si próprios. Por que é tão difícil entenderem a interdependência que existe entre o humano e a natureza? Entender que somos natureza e dependemos dela? Entender que os recursos naturais são finitos e que precisamos poupá-los, recuperá-los e preservá-los?
Não se é contra a produção de alimentos para matar a fome, mas a atual geração não tem culpa de decisões mal tomadas no passado, que nos fazem ser dependentes de uma única possibilidade econômica, a exportação de nossos tesouros (matéria prima) e a importação dos manufaturados. O povo brasileiro foi consultado, que era essa a política que se queria?
Enquanto a tecnologia importada traz enganosamente a defesa do meio ambiente com maior produção em menos espaço e diminuição do uso de agrotóxicos, foram as matas, campos, banhados e demais recursos hídricos, que se viram sucumbidos pela ganância de plantar e criar mais, por um único e exclusivo objetivo: O LUCRO.
Por que não se pergunta o quanto se tem de Área de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL) preservada atualmente, se o Código Florestal, desde 1965, determina essa preservação? Por que os técnicos, até hoje, não orientaram agricultores e pecuaristas a preservarem as APPs e RLs? Por que não orientaram a cuidar de águas e encostas?
Por que ninguém orienta o Ministério da Agricultura, cooperativados, agricultores, pecuaristas e economistas, que a sustentabilidade da agricultura depende da sustentabilidade da água, da biodiversidade, dos biomas originais? Que existe uma interdependência entre biomas, águas e clima para manter o equilíbrio ambiental de cada região? Que, consequentemente, essas alterações drásticas na natureza influenciam na própria produção agropecuária? Acontece que essa influência é a longo prazo e o lucro é imediato. Falando nisso, quanto já se tirou dessas terras que deveriam estar preservadas? Mas, o longo prazo está cada vez mais curto, tornando produtores dependentes das novas tecnologias, que sucumbem a cada ano, e vítimas das tragédias ambientais cada vez mais frequentes.
É claro que são poucos os que ensinam como a natureza influencia em nossas vidas, porque os que detêm o poder no sistema atual diminuiriam seus lucros e muitas categorias se beneficiariam com a diversidade produtiva e com o desenvolvimento da autonomia econômica que poderia ser implantada.
Pequenos agricultores! Não se deixem iludir de que suas terras irão ser inutilizadas. Com as florestas reconstituídas o valor ecológico e produtivo de sua propriedade será multiplicado várias vezes, nas diferentes potencialidades que a sua área terá, com água preservada, clima mais equilibrado e diversidade de produção. Além de que, é claro, com comprovação do prejuízo do atendimento das necessidades essenciais, concorda-se que o pequeno produtor deve ser compensado por eventuais perdas.
Na lógica da interdependência, as cidades e a sociedade em geral também devem assumir sua responsabilidade, fazendo sua parte de consumir menos e em melhor qualidade, de preservar a natureza e não poluir o meio ambiente.
E o poder público? Qual é a sua função? Primeiramente, de não tomar posição que não seja pela melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade. Pois, chega de se colocar ao lado de quem detém o poder financeiro. Em segundo lugar, ouvir todas as representações da sociedade e não defender somente o que uma categoria coloca como verdadeiro. Sendo que, o poder público tem a obrigação de organizar a sociedade de maneira mais igualitária e com planejamento ambiental.
É inaceitável que quem vive da terra não a cuida, não a observa, não a alimenta e somente a explora, a degrada e se autodestrói. É inaceitável isso do ser (bicho) humano em pleno Século XXI!

Bióloga Flávia Biondo da Silva
Vice-Presidente do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas.

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Unknown

14 de maio de 2011 em 15:01.

Car@
Deixo uma dica » o curta-metragem “Florestas e homens”, divulgado como o filme oficial do Ano Internacional das Florestas, dirigido por Yann Arthus-Bertrand para as Nações Unidas. Disponível em português < http://vimeo.com/21106516 >.
“Vivamos erguidos como uma grande árvore e fraternalmente como uma floresta” é uma das mensagens deixadas por este filme; o qual penso ser oportuno diante da sistemática ameaça – provocada pelos seres humanos – às matas e a toda à biodiversidade.
É isso, valeu!
Gilnei J. O. da Silva